Friday, April 02, 2010

Rosário Breve nº 148 - www.oribatejo.pt

Da Lei da Selva(jaria)

Convenhamos: é tão verdade que os amigos sejam para as ocasiões como a ocasião fazer o ladrão. Assim, e portanto, se defendes quem rouba, és tão ladrão à porta como o gajo na horta.
Deste modo entrados no assunto de hoje, deixai-me confessar-vos que ando um bocado farto de selvajarias. Quais elas? Estas:
o encerramento de centros de saúde e de serviços de urgências contra a qualidade de vida (e de morte, já agora) na interioridade - é uma calculada e calculista selvajaria;
o ministro que emprega a filha no tacho de dados informáticos ao arrepio da mínima dignidade do concurso público – pratica uma selvajaria;
a desautorização de professores e demais agentes do Ensino é uma selvajaria contraproducente contra a atempada responsabilização cívica da criançada – sim, uma selvajaria;
o simplex aplicado a tudo quanto nos restava de final capital simbólico (a Língua) – é uma selvajaria;
as sucateirices telefonadas (e escutadas, venha lá quem vier) entre patos-bravos, sabeis, senhoras e senhores, o que são? – são uma selvajaria;
a pouco magistral politização das magistraturas – é uma selvajaria;
e a grande, grandíssima maioria dos “amigos” – consubstancia a selvajaria.
Reparai, por favor: o mais fácil ser-me-ia vituperar aqui a inquisitorial hipocrisia da igreja catatónica, perdão!, católica em relação aos selvagens afluxos de sangue aos tecidos erécteis de certa padradalhada. Facílimo por igual me seria derreter as banhas sinápticas dos comentadores da bola, tanto os do PS como os do “FóculPorto”, os do PSDassos Coelho como a maltosa de rabo-de-cavalo do Bloko de Esguelha, os do camarada Jerónimo Barreirinhas como os do FóculPPortas.
“Amigos”, permiti-me que vos diga e repita: o castigo do Hulk não vale uma casca de tremoço quando comparado à angústia da provinciana obrigada a ser parturiente ao colo de uma ambulância mafiada pelo xerife dos bombeiros locais, aliás vereador também e também secretário da Junta e tal.
A selva é uma fábrica de ocasiões a preço de “amigo”.
De onde resulta que a selva seja uma selvajaria.
País é que não: já não, amigos.