Friday, February 19, 2010

Rosário Breve nº 143 - www.oribatejo.pt


Vitorconstanciada psicológica

“Chicotada psicológica” é como em futebolês se designa o despedimento (compulsivo ou mutuamente acordado) do treinador de uma equipa que ande a dar com os burros na água. Às vezes, resulta. Outras vezes, dá Sporting. Enfim.
O mesmo não se passa, nem de perto nem de longe, pelos infectos balneários do Poder. Veja-se o caso de Vítor Constâncio. Ao cabo de clamoroso estatelanço nas funções de supervisão do carnaval bancário (de que o BPN e o BPP são os foliões mores), o ainda governador do Banco de Portugal não apenas não é apeado como ainda se vê promovido a vice-não-sei-quê de um penico doirado europeu muito grande e muito importante e coiso. A Europa é porreira-pá para estes desconcertantes paradoxos relativos
às figurinhas cromáticas da caderneta política indígena. Durão Barroso fugiu e fizeram-no presidente da Comichão Europeia. Não fugiu? Não fizeram?
Estou à espera que façam do suplente dele, Santana Lopes, no mínimo, assim tipo cônsul em Ibiza ou Marbella ou Monte Carlo ou assim, desde que tenha piscinas mas não concertos de música clássica.
Para Paulo Portas e para o irmão Miguel, vinha mesmo a calhar qualquer coisa que metesse muitas viagens e respectivas ajudas de custo também muitas, como já as tem aquela filha do maestro Vitorino, a Inês, essa nossa tão indispensável deputada à la parisienne.
Com as “luvas” de sucateiro entaladas nas unhas, muitos outros lastimosos cavaleiros da pátria charneca podem (e devem) esperar correlativos óbolos.
Coutada psicológica, sim; chicotada, nem pensar. É o caso dos prémios escandalosos dos gestores públicos. Eles portugaltelecomem tudo e não deixam nada. E a “indignação” por causa da revelação das escutas? Também é gira. Ninguém se “indigna” pelo que as fitas dão a escutar. Varre-se para baixo do tapete da “Justiça” e viva a “démócracia” e coiso.
Honra, pundonor, seriedade, verdade e assertividade são palavras vãs que nem o futebolês diz nem o politiquês percebe. Nisto, de repente, aparece água: boa para burros darem nela. Boa para nós.



4 comments:

Manuel da Mata said...

Brilhante. Há muito que não via grafada a palavra "pundonor", que até rima com Leonor, não é?
Abraço.

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

Rima com a minha Leonor, sim senhor. Merci.

CR said...

Fantástico texto, caro Daniel. Tomei a liberdade de o referenciar como a minha Escolha da Semana.
Um abraço.

daniel.abrunheiro@gmail.com said...

É uma honra, CR.