Saturday, December 19, 2009

Candeeiro

Souto, Casa, madrugada de 20 de Dezembro de 2009






O dia e a noite e o pai e a mãe e a água e o pó e a puerilidade até do sofrimento como a da alegria.
Temos pouco tempo mas quanto temos é todo o tempo do mundo.
Às escuras vê-se claramente quanto não pertencemos senão a uma rua fustigada por um candeeiro, uma sombra de cães entre rosais falidos, um fragmento de lixo levado pela revoada de água.
Tem-nos aparecido um homem enroupado de frutos secos como sonhos desidratados, um homem que voltou por se ter esquecido de nos dizer algo, lembrou-se do que era no caminho, voltou para nos dizer o que era, esqueceu-se de quem era quando nos chegou.
E temos a certeza ao mesmo tempo que o medo – de que seja um homem que não sabíamos que amávamos até que se nos foi.
De modo que
O dia e a noite e o pai e a mãe e a água e o pó e a puerilidade e uma sombra de cães e um candeeiro.

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