Friday, June 19, 2009

FALAS DE CÃO DE ALDEIA (1)

1. O CÃO PRESO ENLOUQUECE ENTRE HORTÊNSIAS

O cão preso enlouquece entre hortênsias.

Oliveiras como estampidos de cinza, casebres vãos de madeira que desprende o tempo das pessoas dos casebres.

Aldeia universal.

Rosas de papel-de-lustre tinem moscardos, em jardins pobres e morais, onde a nossa vida é o que foi.

Certas vezes a natureza parece exortar a nossa vida, a nossa vida parece ter sentido, entre hortênsias, perto as oliveiras, enlouquecidas à calma.

A abóbada é de nuvens de aldeia.

Não é rica a capela.

O cão é rico, tem água e comida, mas é pobre como as rosas.

Cão tão pobre, a nossa vida.

A nossa vida universal-de-lustre, tão moscarda.

O nosso pensamento tão abóbado.

Nuvem de oliveiras calmas, capelãs, vivas.

Aqui não outros, meu senhor.

Aqui só estamos um.

Por vezes é noite de manhã.

Como ver o regresso crepuscular dos animais em fadiga.

As ovelhas que passam às rosas.

O pó que cerca os casebres pessoais.

As vias como veias abertas.

A nossa vida certas vezes.

Chapas de alumínio estanhando o ar.

Telhais envernizados de sol.

Fragrância que as ovelhas deixam, o cão.

Casais de um branco que a noite aumenta.

A presença das vozes como gente.

A gente como um vento de vozes.

A aldeia com voz de oliveiras.

A calma aluminiando o pensamento.

Rosas e ovelhas e humanos e o cão em simultânea aldeia de pensar.

A prisão aberta como as vias, as veias.

O universo é a mais local coisa.

Quando chove, quando um pensa.

Se as oliveiras pensam o universo em rosa.

Meu senhor, a aldeia é-nos por aqui.

Não se sabe porquê a terra, as nuvens por terra.

Escreve branco a capela pobríssima.

As ovelhas, as mãos das ovelhas escrevendo vento, vendo, vindo ovelhas velhas, vivas.

A nossa abóbada tão sol, certas vezes.

Chapas de verniz em a calma, meu senhor.

Sou todos os outros em os casebres fechados todos, dentro, preso.

Regresso ao pó pessoal, branco.

A voz de uma hortênsia por todas.

A vida aberta dentro, só dentro.

O que passa, quem não passa.

Olhos e mãos, mais animais em nuvem-de-lustre.

Uma fadiga atenta, crepuscular, uma só por todos, meu senhor.

A natureza das coisas da natureza das vias, certas manhãs à calma.

Noites de alumínio, o verniz lunar dando em película e prata, oliveiras a perder de vista.

Aldeia que é, em lustre, tão presença, longe.

Passagem pensativa, ao pó.

Passagem pensativa a pó.

Cão de verniz pensando hortênsias.

Por vezes é rosa, por manhã é vozes.

Um dos outros como nós um.

Abre e cerca, as nuvens da capela, dentro, em abóbada.

A vida da aldeia, o cão universal, a privada ovelha e

a rosa vermelha.

Granja e Pombal, manhã e tarde de 18 de Junho de 2009

No comments: