Friday, December 28, 2007

Mocidade Portuguesa - crónica nº 32 da série Rosário Breve (in O Ribatejo)

A partir de hoje, 28 de Dezembro de 2007, n'O Ribatejo (www.oribatejo.pt).

Mocidade portuguesa

A mocidade portuguesa ainda existe. Só que já não é maiúscula e já não anda por aí a fazer a saudação fascista em uniforme meio escuteiro meio soldadinho. Basta-lhe continuar portuguesa para ser minúscula. Ao redigir “mocidade” em vez de “juventude”, sei bem quanto me arrisco a levar ferrete de salazarento. Já aviso que não mereço isso, apesar de ter feito a escola primária toda antes daquele remoto ano em que o Natal também foi a 25 mas de Abril. O meu Pai só comprava castanhas assadas se viessem embrulhadas numa folha do “Avante!”. Por isso, vou continuar a chamar mocidade à mocidade como faz o meu cantor António Calvário.
É uma questão de língua. Portuguesa? Não exactamente. A mocidade de hoje já não fala nem escreve português, mas portuguéssémiésse. Eu axo k s. Vcs axam k n? N tãe mal nenh1. É axim.
Que a mocidade hodierna confunda o Pentecostes com o Pinto da Costa, vá lá. O que já lá não vai, porém, é pensar que só há duas profissões: a de cantor pimba e a de futepimbolista. Por causa do Euro 2004, todas as moças portuguesas querem tornar-se numas flausinas de sucesso como a Nelly Furtado. Já os moços, entre “música” e bola, só admitem duas variantes: ou serem o Mickael Carreira do Manchester United ou o Cristiano Ronaldo do Pavilhão Atlântico.
Sei perfeitamente que tudo isto é execrável paleio de “cota”. Ainda bem. A minha própria mocidade acabou no dia em que troquei os Jethro Tull pelo senhor Johann Sebastian Bach. Quem diz Bach, não escreve Bax. Escreve com maiúscula. Tão haver?

7 comments:

Gabriel Oliveira said...

Ainda há mocidade portuguesa que gosta do João Sebastião Ribeiro, amigo Daniel. Ou então, eu também já não pertenço a essa tal de "mocidade". Mas já no "meu tempo", eu gostava do senhor alemão. E de outros, em especial os do século XX (Bartok, Stravinsky, Mahler...). Mas, como é evidente, as tuas considerações são perfeitamente entendíveis, e é pertinente generalizar a ponto de chamar a esta a "Geração do polegar". O Vicente Jorge Silva chamou à minha de "Geração rasca", mas este epíteto ainda me parece pior. Do polegar... francamente! eheheheheh
Olha, ouvi o teu programa na rádio (fui alertado pelo Filipe, não sabia que o podia ouvir pela Internet), e fiquei maravilhado. Belissimo programa! Gostava de um destes dias participar no programa (é a minha veia de "DJ" a gritar), se me quiseres dar uma prenda (faço anos a 20 de Fevereiro), já sabes... prometo Herberto Hélder, João Gilberto, Tom Waits, Piazzolla, Eliot, sei lá... há uma boa centena de "pérolas" que gostava de mostrar. Fica feito o pedido, que quem não pede, não houve o altíssimo.
De resto, aproveito este meio para te desejar um excelente ano de 2008, e... diz lá à malta da rádio que já não se usa não haver uma caixa de e-mail para a malta poder dar os parabéns no próprio site da rádio! ;)

Abraço,

Nuno Gabriel Oliveira

Daniel Abrunheiro said...

És sempre, e para sempre, bem-vindo, Nuno. Boa ideia, essa de Fevereiro.

Manuel da Mata said...

Eu acho que o Nobre também usou o vocábulo mocidade. E não foi por ser saudosista.
Eu sou do tempo dos chefes de quina, dos comandantes de castelo e dos comandantes de bandeira. Aquilo metia respeitinho.
Recentemente, no meu"blog", rememorei os primeiros de Dezembro, em Castelo Branco.Tanto frio!
Abraço,
Manuel

Afectos said...

não totalmente pela evidência vivência mas... de acordo. lembras-me a minha e sempre querida e viva felizmente irmã.
afectos

Filipe said...

Tou pa ver o ké k vai sair dessa cena dia 20... eh eh... tão a ver amigos.

sophis said...

Meu querido, um abraço para ti directamente de Paris, outro para a Sofia: bjs

Janete Gameiro said...

Ora se a mocidade de ontem não tinham outras manias semelhantes às de hoje? A maluquice existe sempre, o que mudam são as "pancadas". Então não é que já fomos mesmo jovens?!?
Bjs e votos de um 2008 simplesmente belo!