Thursday, May 31, 2007

Direitos de autor agitam teatro ACERT de Tondela

Hoje, 31 de Maio de 2007, no Diário de Notícias (e em www.dn.pt)

Direitos de autor agitam teatro ACERT de Tondela
AMADEU ARAÚJO, Viseu

O escritor Daniel Abrunheiro acusa José Rui Martins, director artístico da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) de lhe ter "roubado a adaptação" dramatúrgica que fez de um texto do escritor colombiano Mário Lamo Jiménez, Andar nas Nuvens, que tem estreia marcada para hoje, na abertura do Fintinha- Festival Crescer com Arte . Segundo Daniel Abrunheiro, o convite para fazer a adaptação do conto de Jiménez vinha armadilhado. "Eu transformei a história em 15 canções e após ter revisto, corrigido, aumentado e melhorado as falas da peça, quando recebi o convite para a estreia, vi que o texto e a encenação são atribuídos apenas a José Rui Martins". Afastado da co-autoria, Daniel Abrunheiro decidiu então "proibir a ACERT de levar à cena a peça" por si adaptada. "Recuso ser passado para segundo plano numa obra que foi trabalhada maioritariamente por mim", garantiu em declarações prestadas aos DN. Abrunheiro não esconde a revolta já que, segundo afirma, "quem ler a ficha técnica fica com a impressão de que o José Rui foi o autor das canções, quando tal não é verdade". O escritor escreveu mesmo a Mário Jiménez: "Fiquei estupefacto quando verifiquei que também ele pensava que a adaptação havia sido feita apenas pelo José Rui."Daniel Abrunheiro, que desde 2005 tem colaborado com a ACERT, afirma ainda que "nunca mais" quer "colaborar com o director artístico" da companhia de Tondela, a quem acusa de ter "uma ânsia de protagonismo desmesurada". Opinião diferente tem o director artístico da ACERT: "A adaptação teatral é minha, o Daniel apenas escreveu uns poemas, mas perante a sua carta vi-me forçado a reescrever novos poemas sem a colaboração dele." A estreia da peça não estará em causa. "É uma situação com a qual não contávamos, visto que sempre salvaguardámos os créditos do Daniel Abrunheiro como autor dos poemas", conclui José Rui Martins.

11 comments:

Anonymous said...

o sr. José Rui Martins não merecia. É verdade. Deveria poder continuar a roubar ideias, textos alheios, apropriar-se de produção intelectual de outrem, tal como tem vindo a fazer, de forma impune, nos últimos anos. Contactem as muitas pessoas da Acert a quem isso aconteceu. Ele não é apenas uma pessoa desonesta. Ainda ninguém lhe disse que está a cometer um crime. Todos têm medo deste actor , que, não sabendo escrever uma linha, se arroga em dramaturgo. Do espaço colectivo que é a Acert, apenas um nome adquire protagonismo. Saberão os senhores de quem se trata? Eu posso ajudar. Dou algumas pistas: julga que sabe alguma coisa de dramaturgia, por dirigir artisticamente uma companhia de província, que escolhe textos medíocres: "A materna doçura", é um exemplo, o que diz muito. Querem mais pistas: há actrizes, actores e músicos conscientes de que, quando se tem uma ideia ao pé do Zé, o melhor é não a dizer em voz alta, já que, passados cinco minutos, a ideia lhe pertence. É como aquelas árvores que desidratam a vegetação em seu redor.
Daniel abrunheiro, continue alcoólico. É a única coisa de que o poderão atacar. Aliás, também poderão dizer que é pobre. Quanto ao mais, de certeza que nunca se poderá confundir e misturar a sua estatura e estrutura, de homem e de escritor, com a de um José qualquer.
Artur Fonseca

Rita Lemos said...

Escrevo em resposta ao seu comentário na linha do norte. Não posso deixar de lhe dar razão. E talvez pedir desculpa. Não tive uma mãe professora primária como D, aprendi a escrita em lingua estrangeira e da 1ª à 4ª classe estive em 3 escolas diferentes e 4 turmas distintas. Nunca os meus pais se preocuparam se dava erros ou não. E embora tenha sempre tido grande paixão pela leitura, penso, contrariamente a muita gente, que não é a ler que se aprende a esrever, mas é escrevendo para que leiam. Tenho consciencia que dou erros, horríveis, e dos quais me envergonho, tanto mais que vou escrevendo em sítios públicos, mas a alternativa é não dizer nada, e disso não sou capaz. Acredite que me debati sériamente nessa pequena palavra e nos seus dois ee, ou não, o que torna o erro ainda mais grosseiro. Agradeço sempre as correcçõesque me ajudam a melhorar e por isso muito obrigada e bem haja.

Anonymous said...

Fantástico como da noite para o dia se transforma uma instituição-referência-da-descentralização-cultural numa "companhia de província", numa palhaçada das berças!
Tudo vai bem, quando o vento toca o nosso barco!

Anonymous said...

"uma companhia de província, que escolhe textos medíocres".
Escolhe, por exemplo, os de Daniel Abrunheiro.

Jorge Abrantes

Anonymous said...

Portugal e portuguesinhos no seu melhor! Gente triste e cabisbaixa e sem nada para fazer. Gente com vidas sem significado e que procura desastradamente o significado mais ruim. Gente sem talento e sem trabalho. Gente alimentada por ódios, invejas.
Mas felizmente Portugal é muito mais que isto. E por isso é que mantenho aqui, por isso é que me mantenho feliz, de olhos brilhantes e sorriso pela manhã. Sei rodear-me de gente que trabalha, gente linda, simples e talentosa e por isso boa gente. Os outros... os outros hão-de morrer sós!
"Ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!"
Alexandre o Neill para que conste.

P.s. Será a última vez que cá venho. Se quisesse beber veneno não precisava de ajuda.

Anonymous said...

Bem... a ameaça implícita nesse último comentário - "será a última vez que cá venho" - é de chorar a rir. Lembra-me a filha de dois anos de uma amiga: "Não gosto mais de ti".
ahahahahahaha
Adri

Anonymous said...

Tenho assistido de olhos esbugalhados a toda esta discussão. À medida que vou lendo comentários vou entristecendo com a forma como se debate a cultura neste país. Porque esta é uma questão cultural, meus amigos.

ACERT: Tem 30 anos de história: muitos festivais de música do mundo, de teatro, de Jazz. Muito trabalho com escolas e associações. Tem um longo percurso no que diz respeito ao combate à falta de cultura. Que tipo de combate? É outra discussão. Escolhas feitas ao longo do caminho em termos estéticos? Ainda outra discussão. Com que resultados? Mais uma discussão. Com que prejuízos? Ainda mais uma discussão. O que é certo é que fizeram. E o caminho faz-se fazendo.

José Rui Martins: Diz quem o conhece que é um homem generoso, um comunicador, um sonhador de causas culturais e sociais, um encantador que convence gente a embarcar no barco dos seus sonhos. Sonhos que ele acredita serem colectivos. Diz também quem o conhece (mas em surdina) que tem a mania do protagonismo. Que não deixa lugar aos sonhos e projectos dos outros. Que qualquer projecto da ACERT tem de ter a sua chancela e o seu nome associados. Que desfaz o trabalho de criadores para o refazer, à sua maneira.
É, no entanto, um timoneiro. Sem ele a ACERT não existia ou, pelo menos, não existia esta ACERT. Mas não esqueçamos os outros fundadores que ao longo do percurso da associação têm sido esquecidos, relegados para segundo plano.

Como actor, José Rui Martins é fraco. Basta vê-lo na peça “Materna Doçura” no papel de prostituta: é o José Rui Martins a fazer de prostituta. Basta tê-lo visto na série televisiva “Residencial Tejo” no papel de padre. Era o José Rui Martins a fazer de padre.
É um excelente declamador. Dono de uma voz profunda e de uma presença forte, José Rui Martins brilha quando diz poesia ou textos de outros autores.
Não falo do José Rui Martins cantor. José Rui Martins não é cantor e ponto final. Mariana Abrunheiro não tem, no álbum Cantos da Língua, o esplendor que merece devido à presença do não cantor José Rui Martins.
Como encenador, José Rui Martins, tem espírito de liderança. Os seus actores reconhecem-lhe isso, ao que parece. As escolhas dos textos são más. Nunca o Trigo Limpo apresentou em palco um clássico do teatro. Mas isso é uma questão de opção estética. O que também é certo é que as peças de Pompeu José têm outra profundidade e, nas peças de Pompeu José, José Rui Martins não entra. Porque será?
Como dramaturgo, José Rui Martins existe pouco. Volto a referir a peça “Materna Doçura”: os diálogos e monólogos com algum brilho respiram a escrita de Daniel Abrunheiro (na ficha técnica está como assistente).

Daniel Abrunheiro, a obra: Leio com atenção tudo o que ele publica. Três livros publicados (o primeiro não me chegou às mãos por ser uma edição de autor): “Cronicão” – o tal que não li, “O Preço da Chuva” e “Licor, Sabão e Sapatos”.
Daniel Abrunheiro escreve sempre com verdade. A honestidade da sua escrita revela-se na procura de não fazê-la cópia de outros. O autor mostra em todos os seus textos que não quer ser Saramago, Lobo Antunes, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Carlos de Oliveira, Camilo (vou falar apenas de autores portugueses), ou outro qualquer escritor. O autor é Daniel Abrunheiro. Da simples habilidade com as palavras – e que habilidade! à escrita mais profunda e disciplinada, Daniel Abrunheira deixa-nos colados ao intimismo das suas histórias. À poesia das suas palavras. À originalidade do seu estilo.

Daniel Abrunheiro, a vida: Tem problemas com álcool? Não quero saber. Tem mau génio? Não quero saber.
O que é certo é que são muitos os amigos que, no blog, lhe deixam a sua solidariedade. O que, aliás, me levou a escrever este texto. Todos os comentários deixados no blog – contra ou a favor – são personalizados.

Para terminar: o que leva um autor como Daniel Abrunheiro a insurgir-se contra o director de uma companhia que, de província ou não, tem um estatuto de “Vaca Sagrada”? Alguma coisa se passa, não vos parece? O que leva um director artístico de uma companhia a mudar, a dois dias da estreia, canções que pagou e uma peça que já registou no seu nome? O que leva um director artístico a colocar na ficha técnica “textos e dramaturgia” (em destaque) de José Rui Martins, poemas de Daniel Abrunheiro, Fernando Pessoa e José Rui Martins”? primeiro ponto: são canções e não poemas (a tal questão do sabe pouco). Segundo ponto: Se a peça vive das canções, qual é o texto? Se José Rui Martins pediu ajuda a Daniel Abrunheiro na estruturação do texto – diálogos, frases, lançamentos para as canções…existe ou não existe co-dramaturgia?

Só mais esta pergunta: Terá Daniel Abrunheiro publicado o texto de indignação no blog sem ter informado José Rui Martins da sua revolta não lhe dando tempo de mudar a ficha técnica?
Eu não acredito. Vocês, amigos, acreditem se quiserem.

Manuel Figueiredo

Anonymous said...

Cá está mais um ignorante a querer fazer passar-se por culto e inteligente. Só especulação! É dos que faz que percebe mas na realidade não entende nada do assunto.
É por estas e por outras que temos o governo que temos.

Anonymous said...

E o senhor ou senhora acrescentou grande sabedoria à discussão com este seu comentário.
Haja paciência!

Manuel Figueiredo

António Luís said...

O Daniel Abrunheiro pode ter muitos defeitos, mas há duas virtudes que bastam: escreve muito bem e é honesto.

LM,paris said...

manha de todos os dias, em paris ,
uma hora a menos, raio de espaço tempo e quando me vêm com o tempo real...esta discussao é interessante, anteontem li pela primeira vez os poemas do daniel, li e reli, tudo era verdade na lingua dele e que eu ouvia, à medida que corria o cursor, sem falhas, ou sim , uma palavra que eu achava linda, que nao conhecia...trinta e tal anos em frança...desculpem là!
Agora penso que hà uns anos encontrei o tal josé rui martins,
uma espécie de ogre( diz-se assim?) aqueles que nos contos comem as crianças e nao deixam nada.
Foi assim que eu o vi e senti, num encontro num café na Bastille, participavamos nesse ano no Festival de Teatro português em França,e eu ouvi-o falar dele e toda aquela mise en scène do seu personagem, a esposa ao lado, nem bolia...à noite, a cie apresentou
um espectàculo mediocre e sou simpàtica. Ele aumentou o palco,
(achou-o pouco largo),à tarde pôs-se a cortar madeira e a pregar tàbuas alargando de um metro a cena!
Uma coisa louca, o publico esperou no hall mais de uma hora...aquilo tudo era uma accao histérica, onde aquela energia dobrava toda a gente à vontade daquele senhor!
E depois a peça era tao mà, tudo era feio e mal feito, pra quê tanta revoluçao para parir um mini-rato doente e sem pêlo?
Fugi daquele mundo sem amor, nem humor, nem talento, desculpem là, fiquei deccepcionada do trabalho, so se via e ouvia o rui que nao parecia estar a actuar, mas a obrigar a malta a ouvi-lo, jà que falava mais alto, era ele o mais alto e era ele o maior!
Prontos, jà perceberam que nao me admira nada do que leio nestes comentarios, o que eu conheci desse senhor, é excessivo, sem lugar para qualquer tipo de escuta, sensibilidade ao que està a fazer ou ouvir. Parece uma maquina a triturar as coisas e pô-las ao seu serviço, nao é bem a ideia de que me faço nem da vida, das relaçoes humanas.
Os umbigos do mundo sao cansativos, e algum dia alguém tem de lhes dizer que nao estao cà impunes.
Dou uma dentada e ladro de longe,
jà que nao toco piano mas falo francês...tenez bon daniel, defenda aquilo que ache justo, estamos consigo. um abraço de paris aboyements gratuits à tous les étages!LM, paris