Sunday, March 04, 2007

Nenhuma Gente Mais

Ábaco
Quantas vezes estes sapatos aderiram a estas pedras, a estas ruas?
Quantas vezes a inumerável vida?

Quarto I
O rapaz e a rapariga no quarto da rua Guerra Junqueiro.
Imagino.

O Terror
Quando um amor exila de um homem os livros e o trabalho – e só a mulher e a nudez da mulher e tudo o que à mulher respeite lhe interessam: eu digo que isso tem nome.

Domingo
Ao fresco frio da tarde, ao longo das pedras das ruas, as asas do nariz fremindo na poalha de água do ar. Pulmões e ideias e palavras em uníssona respiração. A extensão dominiqualidade da solidão.

Entrega
O inverno retirou cada cor de cada coisa, deixou cada coisa onde estava e acumulou as cores onde fechas os olhos para emitir todas as cores do leite.

Quatro Estações menos Três
Aos domingos à tarde, pela cidade, vejo os rapazes que fui. Querem e não querem que venha o autocarro. Duas horas no cinema e uma barra de chocolate. Grandes invernos. Longos como muros, esses invernos em que os fui.

Autocarro
Sempre esperei outra coisa.

Um Dia na Terra
Sábado de manhã, um livro de geografia, outro de Agatha Christie. Esse sábado, véspera única e vitalícia de todos estes domingos de agora.

Quarto II
Maior do que o Castelo de Moulinsart, e tão como ele fictício (afinal), o quarto da rua Guerra Junqueiro.

Não
Descubro, nunca sem espanto, que existe mais gente. Depois, isso não pode ser – e volto a acordar.

Restless Wrestling
A minha luta é só contra um.

Caramulo, tarde e depois noite de 4 de Março de 2007

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